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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Construindo saúde: a dimensão coletiva do sofrimento docente


"Na atualidade, com a efetivação da sociedade de controle e do capitalismo globalizado, no qual  o  mundo perde  a  nitidez  de  suas  fronteiras,  o  homem  contemporâneo  se  vê desterritorializado, ou seja, seus antigos territórios referenciais vão perdendo suas funções de estruturação  e  unificação.  O  homem contemporâneo  vive  num  mundo  cada  vez  mais competitivo  e  individualista,  com  quase  nenhuma permanência  de  vínculos  e  relações.
Assistimos às escolas adotando uma política de qualidade, com o objetivo de aproximá-las do funcionamento da empresa. Torna-se comum, no ambiente escolar, a valorização das técnicas de gerenciamento,  transformando  o  aluno  em  consumidor  de  ensino  e  o  professor  em funcionário treinado e competente. Ou seja, a escola vai aos poucos preparando mão-de-obra com  as  novas exigências  do  mercado  de  trabalho  e  tratando  o  ensino  público  como mercadoria,  trazendo  “no  bojo  o  tecnicismo  que  reduz  os  problemas  sociais  a  questões administrativas, esvaziando os campos social e político do debate educacional, transformando os problemas da educação em problemas do mercado e de técnicas de gerenciamento”, alerta Marrach (2000, p. 52).
Como construir saúde nestas circunstâncias? Como escapar da clausura do individualismo, que tanto nos faz sofrer por acreditarmos que há algo em nós que está errado e que precisa ser remediado? Como resistir aos tentáculos da racionalidade biomédica que, no exercício do biopoder, nos classifica como doentes? Que estratégias podemos sugerir aos professores neste combate à medicalização da vida?"

Leia esse artigo na íntegra clicando aqui


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Dia da Consciência Humana

Caio Pereira*


Nos últimos dias circulou pelas redes sociais um vídeo em que o ator americano Morgan Freeman se diz contra datas comemorativas relacionadas à consciência negra. O motivo? Assim como não há o dia da consciência branca, não deveria haver o da consciência negra, pois a melhor forma de acabar com o racismo seria não falando sobre ele.
Esse é o tipo de pensamento base daqueles que são contra as cotas raciais, pois segundo eles, essa seria a maior forma de preconceito possível, atribuindo ao negro uma inferioridade às demais etnias.
Contudo, eu discordo. Continuo achando que a maior forma de racismo é escravizar um povo por conta do tom da sua pele e tratá-lo como mercadoria, castigá-lo com chibatadas. E, sinceramente, não acho que esquecer isso seja a solução. Nenhum problema é solucionado sendo ignorado.
A escravidão no Brasil deixou sequelas presentes até hoje na sociedade. Qual é o percentual de estudantes negros nas faculdades? Com certeza é muito baixo. Isso não significa que o negro seja intelectualmente inferior, mas representa o papel que exerce na pirâmide social.
Um jovem negro carece de exemplos de pessoas bem sucedidas que não sejam artistas ou desportistas. Nesse ponto estamos evoluindo. Nos últimos meses um negro ganhou notoriedade sem chutar uma bola, ou batucar um pandeiro. O ministro do Superior Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.

O Relator do caso do Mensalão tomará posse da presidência do STF, sendo o primeiro negro a ocupar o cargo. Com uma trajetória de estudos no exterior, o filho de pedreiro, venceu na vida através dos estudos, sem precisar de cota. Porém o caso dele é uma exceção e uma história de superação, não podendo ser tomado como parâmetro.
Vejo as cotas raciais não só como uma forma de ressarcir os descendentes de escravos, que não receberam indenização por todos os crimes a eles cometidos. Por toda mão de obra utilizada, que enriqueceu diversas famílias tradicionais brasileiras, que hoje em dia podem pagar os melhores colégios para seus filhos. Mas como uma tentativa de igualar o processo e torná-lo mais justo.
As cotas não são um insulto, pois o insulto já aconteceu. Por isso tanto as cotas, quanto o dia da consciência negra, são válidos. A ideia não deve ser de revanchismo, mas não devemos esquecer essa parte chata da história, pois ela influencia a estrutura atual.
No fundo, todos somos iguais, indiscutivelmente. Mas infelizmente, no passado, não se tinha esse pensamento. E muitos ainda não têm. Por conta disso, hoje é muito mais que o Dia da Consciência Negra, é o dia da Consciência Humana!
Portanto, hoje é dia de lembrarmos as atrocidades cometidas contra os meus ancestrais, aos ancestrais desse Brasil. Mas sem se esquecer de exaltar aqueles que quebraram todas as barreiras impostas. Salve Marthin Luther King! Salve Malcom X! Salve Mandela! Salve Joaquim Barbosa! Salve Zumbi!


Fonte:http://extra.globo.com/noticias/seis-que-sabem/dia-da-consciencia-humana-6777792.html#ixzz2CmeDDS7N



Caio Pereira* é aluno do ensino médio do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro - ISERJ

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Crianças analfabetas na Etiópia aprendem sozinhos a hackear tablets



Certa vez alguém perguntou ao astrônomo e divulgador de ciências Neil deGrasse Tyson o que fazer para despertar a curiosidade científica nas crianças, e o conselho dele foi: “sair do caminho delas”, ou seja, deixá-las explorarem à vontade.
As crianças, segundo ele, já nascem cientistas, com curiosidade e vontade de explorar e conhecer.
O pessoal do “One Laptop Per Child” (“Um Laptop Por Criança” – OLPC) comprovou essa ideia na prática. A empresa de Nicholas Negroponte já distribuiu 3 milhões de laptops para crianças em 40 países, uma atividade que geralmente integra professores a alunos. Mas e onde não tem professor? E onde todo mundo é analfabeto?
A equipe do OLPC deixou uma caixa fechada com tablets Motorola Xoom em duas aldeias etíopes, Wonchi e Wolonchete, onde nunca havia caído ou passado nada escrito.
Eles ensinaram alguns adultos como usar os painéis solares que recarregam os tablets, e pronto. Largaram lá os aparelhos recheados de programas educativos, livros, filmes e jogos.


Uma vez por semana, eles apareciam nas aldeias para trocar o chip de memória dos tablets, onde estavam registradas as atividades das crianças, todas entre 4 e 8 anos. E o que os registros mostraram é bastante animador.
  • 4 minutos depois que a equipe saiu da aldeia, as crianças já haviam aberto as caixas e descoberto como ligar os tablets – eles nunca tinham visto um botão de liga/desliga antes;
  • uma semana depois, cada criança usava em média 47 aplicativos por dia;
  • duas semanas depois, eles estavam disputando quem soletrava o alfabeto mais rápido, e cantavam músicas como o abecê;
  • cinco meses depois, eles conseguiram ultrapassar a proteção do tablet, que não deixava personalizar o mesmo, e além de cada um ter um tablet completamente diferente, eles também conseguiram habilitar a câmera, que alguém tinha deixado desabilitada por engano – traduzindo, eles hackearam o tablet;
  • uma das crianças, que brincava com programas de alfabetização que usam imagens de animais, abriu um programa de desenho e escreveu a palavra “Lion” (leão);
  • o que uma criança descobria sobre os tablets era compartilhado rapidamente com todas as crianças. Elas formaram uma rede solidária de aprendizado espontaneamente.

Em cinco meses, a vila saiu da “idade da pedra” e se lançou no caminho da alfabetização e da informática. Imagine se cair um disco voador na Etiópia…

#DICA DE WILSON SANTANA

Educação transformal


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

XV FoNEPe


DELEGAÇÃO DA PEDAGOGIA ISERJ

DELEGADA: BARBARA ASSIS DE OLIVEIRA
SUPLENTE: SUZANE MELLO DE ARAÚJO
ALUNA: CARLA BEATRIZ


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ser índio em tempos de mercadoria

Tarso de Melo*


A recente divulgação da carta que uma comunidade indígena Guarani-Kaiowá de Dourados (MS) enviou à Justiça Federal pedindo que, uma vez que não lhes é permitido viver da forma que consideram digna, seja logo decretada a morte de toda a comunidade, por cruel que pareça, não deveria causar espanto. Condenados à morte, sejamos sinceros, os índios brasileiros já estão há mais de 500 anos, mas a execução da sentença é lenta, torturante e cínica.

O que espanta, desta vez, é que os próprios Guarani-Kaiowá tenham pedido ao seu inimigo mais ou menos declarado – esta coisa que insistimos em tratar como “civilização” – que seja mais sincero. Sim, mais sincero e diga claramente que o índio não interessa, não se encaixa no modo de vida a que todos, sem privilégios (ouçam o eco iluminista…), estamos condenados.

Aprendemos com Marx que o capital libertou o trabalhador da escravidão à força, típica de formações econômicas pré-capitalistas, para submetê-lo a uma forma diversa de escravidão: o trabalho assalariado, a compra e venda da força de trabalho. (Sim, ainda há trabalho escravo – e ele não é incompatível com o capitalismo. Apenas não pode ser a regra, porque a valorização do capital depende de sua circulação também na forma de salário, o que não impede que um ou outro capitalista faça uso da extração violenta da força de trabalho.)

O trabalho como mercadoria é – em regra, insisto – o único compatível com uma sociedade em que tudo é mercadoria, em que o acesso aos bens indispensáveis à existência passa inescapavelmente pelo mercado: pagou, tem; não pagou, não tem. Ponto final. É óbvio, neste esquema rigoroso de trocas, que não se tolere qualquer exceção à lógica mercantil. Em outras palavras, o que o capitalismo não tolera é a manutenção, em seu mundo, do que não é mercadoria e, ainda por cima, impede o livre desenvolvimento de suas forças.

O que são, afinal, os índios para a ordem capitalista? Um ônus, um entrave, uma aberração, mas que, por não ser conveniente à “civilização” assim declará-los, recebem da nossa Constituição instrumentos para sua proteção que são constantemente “desmoralizados” (e é inevitável usar aqui esta palavra porque a proteção aos índios assume exatamente uma feição moral na ordem jurídica, ao mostrar como somos gratos e responsáveis com nossas, digamos, “origens”), como na decisão da Justiça Federal que exterminou, por enquanto, a paciência dos índios e sua esperança de viver no espaço que a “civilização” reservou àqueles que a antecederam. E sobreviveram à sua afirmação.

A carta à Justiça Federal não deixa dúvida: os Guarani-Kaiowá cansaram de reivindicar o direito de sobreviver como índios e não aceitam viver senão como índios. Não aceitam migrar para o regime do trabalho precário (prestado, no geral, a quem tomou suas terras) ou da mendicância às margens do exuberante mundo das mercadorias. O “bilhete suicida” que essa comunidade manda para nós, não o tomem como chantagem, “drama” etc. É um “basta”, um “chega”, mas principalmente uma prova de que os índios, com sua habitual sabedoria, entenderam melhor do capitalismo e de sua “civilização” do que nós, que nele estamos afundados até o pescoço – e um pouco mais.

Não só sua própria existência, mas a forma como os índios insistem em mantê-la é uma grande afronta ao capital e sua lógica. Vejam o que diz a carta: “Nós comunidades cultivamos o solo, produzimos a alimentação aqui mesmo, plantamos mandioca, milho, batata-doce, banana, mamão, feijão e criamos de animais domésticos, como galinhas e patos. Aqui agora não passamos fome mais. As nossas crianças e adolescentes são bem alimentadas e felizes, não estão pensando em prática de suicídio. Assim, há uma década, nesses 12 hectares estamos tentando sobreviver de formas saudáveis e felizes, resgatando o nosso modo de ser e viver Guarani-Kaiowá, toda a noite participando de nosso ritual religioso jeroky e guachire”. Como assim alimentadas, saudáveis e felizes? Sem ter pago por isso? Este intercâmbio do homem com seus iguais e com a natureza orientado apenas e tão-somente por suas necessidades – do espírito e do estômago – é inadmissível para o capital. Mais ainda: é sobre sua negação que se constituiu a forma como vivemos nos últimos 3 ou 4 séculos.

Os índios, neste contexto, são não apenas supérfluos, mas uma espécie de mau exemplo a ser apagado do horizonte de formas de “ser e viver” à venda – sim, à venda – em nosso tempo. O que será de uma sociedade “sem alternativas” se tolerar uma forma de vida que se nega à troca, ao dinheiro, à concentração da riqueza, ao desperdício? Desta vez, a pedido dos próprios índios, a “civilização” terá oportunidade de declarar o que pensa a este respeito.

A propósito, a Constituição brasileira afirma que “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens” (art. 231).

Se nossas autoridades, que têm sua função justificada por essa mesma Constituição, não se preocuparem em respeitar tais palavras, será muito difícil evitar que se confirmem a tragédia da carta dos índios e o pessimismo das linhas acima. Mas também será cada vez mais difícil – creio e espero – manter os grupos oprimidos e suas reivindicações dentro de comportados limites legais.



*Tarso de Melo (1976) é advogado, mestre e doutor em Direito pela FDUSP, professor da FACAMP e coordenador de pós-graduação da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo. É um dos coordenadores da coleção Direitos e Lutas Sociais (Dobra/Outras Expressões).



http://editora.expressaopopular.com.br/noticia/batalha-das-ideias-ser-%C3%ADndio-em-tempos-de-mercadoria

domingo, 28 de outubro de 2012

TRIBUTOS

Claudia Marcia Santana Vaz



Grito verdades
Até a morte grito
Guerra mundial
Holocausto social
Estado fecal
Deus contextual
Crueldade
Mudo conceitos
Encontro lucidez
Convulsões
E preconceitos
Livre, sigo
Palavras
Duplos sentidos
Que louco sou eu?
Personagem real
Língua banal
Significo
Signo
Sem língua
Sem fala



sábado, 13 de outubro de 2012

Sobre pedras e passarinhos


Sobre pedras e passarinhos



Se você disser para um passarinho que ele nasceu para voar, provavelmente ele não ficará supreso. Com a delicadeza e polidez que só os passarinhos possuem, responderá que há anos já sabia disso, e que este fato – o de saber a quê veio ao mundo – o fazia bem.

Se disseres para uma pedra que sua função é a de permanecer parada e impermeável pela eternidade, conformada com o fato de que talvez – e apenas talvez – alguma chuva ou pé humano a troque de lugar, a reação será parecida. Provavelmente ela será um pouco dura, mas te dirá que já sabia disso. E que ela, assim como inúmeras outras criaturas, têm sua visível e eloquente missão. Que se sentem bem com tamanha obviedade, porque é mais seguro e sensato viver em um mundo onde as coisas fazem sentido.
 
[...]
 
Para continuar a ler visite o Blog da Milena

Os cinco estágios da carreira

Existem cinco estágios em uma carreira.

O primeiro estágio é aquele em que um funcionário precisa usar crachá, porque quase ninguém na empresa sabe o nome dele.
No segundo estágio, o funcionário começa a ficar conhecido dentro da empresa e seu sobrenome passa a ser o nome do departamento em que trabalha...
Por exemplo, "José" de contas a pagar.
No terceiro estágio, o funcionário passa a ser conhecido fora da empresa e o nome da empresa se transforma em sobrenome. José da usina tal.
No quarto estágio, é acrescentado um título hierárquico ao nome dele: José, Gerente da usina tal.
Finalmente, no quinto estágio, vem a distinção definitiva. Pessoas que mal conhecem o José passam a se referir a ele como 'o meu amigo José, Gerente da usina tal'.
Esse é o momento em que uma pessoa se torna, mesmo contra sua vontade, em 'amigo profissional'.
Existem algumas diferenças entre um amigo que é amigo e um amigo profissional.
Amigos que são amigos trocam sentimentos. Amigos profissionais trocam cartões de visita.
Uma amizade dura para sempre. Uma amizade profissional é uma relação de curto prazo e dura apenas enquanto um estiver sendo útil ao outro.
Amigos de verdade perguntam se podem ajudar. Amigos profissionais solicitam favores.
Amigos de verdade estão no coração. Amigos profissionais estão em uma planilha.
É bom ter uma penca de amigos profissionais. É isso que, hoje, chamamos networking, um círculo de relacionamentos puramente profissional.
Mas é bom não confundir uma coisa com a outra.
Amigos profissionais são necessários.
Amigos de verdade, indispensáveis.
Imagine você um dia descobrir que tinha bem mais amigos do seu cargo do que da sua pessoa!
Algum dia, e esse dia chega rápido, os únicos amigos com quem poderemos contar serão aqueles poucos que fizemos quando amizade era coisa de amadores.
Por isso preservem as amizades verdadeiras porque os amigos da tua posição desaparecerão, os amigos da sua pessoa permanecerão do teu lado.


____________Max Gehringer
 
#DICA WILSON SANTANA
 
 
 
 
 
Faz lembrar um velho ditado:
 
"Nessa vida os amigos que faremos caberão em apenas uma das mãos. São esses poucos verdadeiros quem carregarão o nosso caixão."

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Subvertendo paradigmas - Antonin Artaud

Mônica Vallim



Na medida em que se permite um mergulho na profundidade das obras de Antonin Artaud , a dualidade de tudo que existe vai aflorando de forma latente em seus escritos, inquietando o espírito do leitor espectador, questionando a racionalidade imposta pelo conhecimento científico e pelo positivismo. Determinadas cartas ao seu médico ferem a alma ao descrever o sofrimento de um homem sensível e inteligente que sente o seu direito de Homo sapiens ser usurpado. Sente-se esvaziado do seu ser pelo tratamento médico recebido no Hospital Psiquiátrico de Rodez . Escrever torna-se a ferramenta encontrada por Artaud para manter-se lúcido e questionar a sociedade.

Algumas vezes a sua linguagem parece um enigma atroz a ser desvendado em meio ao turbilhão de sentimentos e de blasfêmias oriundos do horror que sentia com as sensações de esquecimento provocadas pelo tratamento psiquiátrico vigente àquela época, a sismoterapia. Em outras parece tão óbvia desnudando a crueldade do estigma de um louco que por meio de suas cartas reinventou o teatro, a si mesmo e a psiquiatria. Apesar das várias sessões de eletrochoque, conseguiu manter a sua louca lucidez e rompendo com o teatro de sua época, recriou-o psicologicamente marginal, da forma como o conhecemos hoje, despojado do formato de mero entretenimento literal.

O teatro artaudiano teve o expurgado propósito de romper padrões, para tocar subjetivamente o puro e atingir o imutável universo cósmico subvertendo o mundo ao fazer o espírito sangrar na união corpórea em cena, no palco. Assim, mesmo estando internado em um sanatório, ele cria o projeto de um novo teatro psicologicamente reflexivo incorporado de angústias sociais, tormentos humanos, revelações e revoluciona culturalmente a sua época com a obra “O teatro e seu duplo”. Para Artaud o teatro é a sua vida, e a sua vida é o seu laboratório de ensaios.

Um teatro em constante movimento etéreo, corporal e ambíguo aos extremos, que contempla múltiplas linguagens. Algo essencialmente psíquico, mágico e subversivamente perturbador. A linguagem escrita deixa de ser a protagonista do espetáculo. A linguagem cênica assume seu papel cerimonial. Por meio de gritos, gestos e atitudes novos signos são criados para pontuar essa teatralidade corpórea. Essa nova linguagem visceral e obscura transmuta-se adquirindo o valor das palavras. “O corpo sem órgãos”.



O legado de seus registros  tanto para as artes cênicas quanto para a literatura e a psiquiatria transpõe o seu tempo, o século das grandes guerras. A sensação é que Antonin Artaud utilizou-se desse estado psíquico de demência para experimentar a liberdade derradeira da criação atemporal. Recriando-se no teatro recriou-se na vida, mantendo sua mente ativamente buscando autocuras. E independente das consequências, ele realmente ousou buscá-las. A única maneira de sobreviver e transpor seus conflitos existenciais foi pensar à frente de seu tempo. Aprende a renascer eternamente a partir do caos e do devir, juntando as várias linguagens da arte como em um ritual.

Reler as cartas de Artaud é perceber a subjetividade na crise existencial do desespero de um homem que passou por duas guerras mundiais vivenciando a Europa ser destruída. Mesmo internado por muitos anos em sanatórios, produziu um acervo riquíssimo que permite reconhecê-lo nos grandiosos espetáculos teatrais contemporâneos e na antipsiquiatria. Sua obra surgiu com o firme propósito de impactar a sociedade, romper paradigmas a qualquer custo. Sua produção textual não poderá jamais ser rotulada como insana ou superficial.

Sendo assim, o tributo de Antonin Artaud às artes cênicas e à ciência psiquiátrica ainda se perpetuará por muitos anos. Suas ideias foram muito além do que se pressupõe racionalmente estabelecido como certo ou errado, bom ou mau, profano ou sagrado. Para compreender o pensamento artaudiano, deve-se partir da premissa que toda existência no plano físico ou psíquico existe inata e coadunada ao seu duplo antagônico na metafísica cruel.


Leia outros resumos ou consulte a bibliografia disponível em arquivo PDF clicando em:
 O TEATRO E SEU DUPLO

O grupo, coordenado pelo Professor Marcio Sales, se reúne às quintas-feiras no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro, sala 222, das 16h às 18h. Rua Mariz e Barros 273, Praça da Bandeira.
Basta comparecer.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Tombamento do Centro Cultural Indígena - Aldeia Maracanã

Todas as nossas forças na aprovação dessa lei

O respeito aos povos indígenas do país é um pilar da democracia brasileira. Com o intuito de fincar ainda mais essa bandeira na cidade do Rio de Janeiro, os vereadores Reimont (PT) e Eliomar Coelho (PSOL) apresentaram à Câmara do Rio o Projeto de Lei nº 1536/2012, que dispõe sobre o tombamento do Centro Cultural indígena da Aldeia Maracanã, no antigo Museu do Índio, situado à Rua Mata Machado, 127, Maracanã.

Segundo a proposta, o prédio, tombado por seu relevante valor arquitetônico, histórico e cultural, será destinado ao usufruto exclusivo da Cultura Indígena, promovendo assim a preservação dos costumes, crenças e tradições destes povos. A lei ainda obriga o Poder Executivo a realizar a inscrição deste tombamento no Livro de Tombos dos Bens Culturais do Município, tal como consta no Registro Geral de Imóveis (RGI) e nos livros de Saberes e Lugares no prazo de quinze após a publicação desta Lei, se a mesma for aprovada.

"O tombamento tem seu fundamento não apenas em sua preservação, tendo em vista o precário estado de conservação, mas ajudará no trabalho de revitalização da própria área em que se insere o imóvel", justifica Eliomar Coelho, um dos autores do projeto. "Sua importância também se deve ao fato de ser o Centro Cultural Indígena da Aldeia Maracanã uma referência centenária para a população indígena da cidade do Rio de Janeiro, desde as expedições de Rondon, e posteriormente por abrigar o Museu do Índio", finaliza o vereador Reimont, também autor da matéria.


Fonte: http://www.camara.rj.gov.br/noticias_avisos_detalhes.php?m1=comunicacao&m2=notavisos&id_noticia=4813

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Uma lenda indígena: Os dois lobos




“Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas.


Ele disse:

– A batalha é entre os dois lobos que vivem dentro de todos nós. Um é Mau. É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, mentiras, orgulho falso, superioridade e ego.

O outro é Bom. É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.

O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô:

– Qual lobo vence?

O velho índio respondeu:

– Aquele que você alimenta!”

domingo, 30 de setembro de 2012

Ensino Religioso

Stela Guedes Caputo: “acho que não podemos ter Ensino Religioso como disciplina.”

Além de ser o espaço para partilhar conhecimentos, a escola deveria ser um ambiente para a discussão de valores e atitudes que possibilitassem a convivência entre as pessoas. Ou seja, não espera-se, em princípio, que o ambiente educacional seja marcado pelo preconceito e pela discriminação. Pelo menos, não deveria ser assim.

Mas, não foi a essa conclusão que a professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e jornalista Stela Guedes Caputo chegou, ao acompanhar, durante 20 anos, jovens e crianças adeptos da religião do Candomblé. Segundo ela, nas entrevistas que fez com estudantes candomblecistas, uma das constatações mais tristes foi a de que, para eles, de todos os espaços sociais onde a discriminação acontece, a escola é o pior de todos.

“Uma das professoras de Ensino Religioso que entrevistei, por exemplo, disse que tinha oito alunos do candomblé que entenderam, a partir de suas aulas, que estavam errados e se tornaram cristãos”, relembra Stela, ao contar uma das inúmeras histórias de discriminação que ouviu nas duas décadas de pesquisa que fundamentam o livro “Educação nos terreiros - e como a escola se relaciona com crianças de Candomblé”, publicado pela Editora Pallas.

A obra já foi recomendada pela Revista de História da Biblioteca Nacional, está na sala virtual da formação permanente para professores de História do Estado e foi indicada para ajudar a discussão sobre diversidade com ênfase nas questões da história e culturas africanas. Também foi lançada este ano em escolas, espaços culturais e em terreiros no Rio, na Bahia e em Minas, e tem lançamento previsto em Pernambuco e em vários outros estados.

Nesta entrevista, ela aborda não só o tema central de seu livro, a educação nos terreiros, como apresenta problemas e incoerências do ensino religioso, fala sobre outras formas de preconceito que existem no ambiente escolar, destaca de que forma o trabalho com a religião poderia contribuir com a formação educacional, entre outros temas.

FOLHA DIRIGIDA — Uma de suas conclusões é de que há muito preconceito nas escolas contra crianças e jovens desta religião. De que forma este preconceito se manifesta?

Stela G. Caputo - Primeiro é importante dizer que todos os tipos de preconceitos identificados foram relatados por crianças e jovens de terreiros que entrevistei durante minhas pesquisas. Também identifiquei discriminações nas entrevistas realizadas com professores e professoras da rede pública. Preconceitos e discriminações ocorrem de formas variadas. Um dos primeiros relatos que me chamou a atenção foi o de Ricardo Nery, quando ele tinha 4 anos, portanto, isso foi há 20 anos. Ricardo é ogan, ou seja, ele toca atabaques, entre outras funções. Na época o menino me disse que havia sido chamado de “filho do Diabo” por uma professora. Foi justamente esse relato que me motivou a tentar perceber como a escola se relaciona com crianças de terreiros. Jovens de terreiros amam e se orgulham de sua religião, mas, em geral, na escola, ocultam sua fé e até dizem que são católicos. Isso acontece porque preferem se tornar invisíveis para não serem identificados como candomblecistas e, assim, diminuírem as discriminações por que passam. Muitas fazem o santo e precisam raspar a cabeça. Esse é um momento de conflito dramático com a escola e crianças e jovens preferem dizer que estão com câncer ou pegaram piolho para justificar a raspagem. Há uma tática nova agora. Muitas dizem que passaram um produto para alisar o cabelo, o que acabou causando a queda, enfim, o que importa é perceber que elas sofrem porque são discriminadas e inventam formas de sobreviver ao preconceito.


O que pode nos dizer do relacionamento das crianças e jovens de famílias praticantes do candomblé com os estudantes de outras religiões?

Depois de tanto tempo de pesquisa eu tenho uma infinidades de dúvidas e algumas poucas certezas. Mas uma das coisas mais preciosas que aprendi sobre o candomblé é que esta é uma religião que não discrimina. Não discrimina diferentes orientações sexuais, não discrimina raças, classes, gêneros. Não discrimina outros credos. O candomblé também não é uma religião de conversão, não procura convencer ninguém a ser candomblecista. Não acha sua religião superior a de ninguém, apenas ama sua religião e vive ou tenta viver de acordo com ela. Então muitas vezes se ninguém perguntar, o candomblecista nem diz que é candomblecista. Primeiro por conta disso que já falei. Segundo por se tratar de uma religião de awos, ou seja, de segredos rituais (o que não pode ser confundido com silenciamento). O praticante não sai por aí falando de sua religião. Pensando na sua pergunta eu vejo não há problema para o candomblecista se relacionar com estudantes de qualquer religião. Não será ele ou ela candomblecista a criar problema para os outros. São os outros que criam problemas para os estudantes candomblecistas quando supõem que suas formas de entender e perceber o mundo são superiores, são melhores que as dos praticantes de candomblé.


Os alunos também sofrem preconceito por parte dos professores?

Um dado importante e muito triste levantado nas pesquisas é que alunos e alunas candomblecistas são unânimes ao afirmarem que de todos os espaços sociais onde a discriminação acontece, a escola é o pior deles. Uma das professoras de Ensino Religioso que entrevistei, por exemplo, disse que tinha oito alunos do candomblé que entenderam, a partir de suas aulas, que estavam errados e se tornaram cristãos. Muitas escolas rezam o Pai-Nosso na hora da entrada. Isso é uma forma de discriminar religiões para as quais essa oração não faz o menor sentido, por exemplo, para alunos judeus. Não se trata só do candomblé. Tauana dos Santos, a menina da capa do meu livro, afirma lamentavelmente que se dependesse das escolas em que estudou continuaria com vergonha não só do candomblé, religião que ama, mas também com vergonha de ser negra. Mas é claro que a escola não é “uma coisa só”. Existem muitos esforços de professoras e professores que defendem e praticam uma educação que garanta e respeite as diferenças. Ainda bem que existem, mas o problema é que geralmente são esforços individuais de um ou outro professor preocupado em combater os preconceitos enquanto o obscurantismo vem crescendo organizadamente.


Este livro é resultado de uma longa pesquisa. Pode nos falar sobre como realizou este estudo?

Em 1992 eu era repórter do jornal O Dia e recebi uma pauta para fazer um levantamento sobre o candomblé na Baixada Fluminense. Interessava ao meu editor uma matéria sobre a resistência dos terreiros. Cheguei ao Ile Omo Oya Legi, de Mãe Palmira de Iansã, em Mesquita, na Baixada Fluminense e a primeira pessoa que vi foi Ricardo Nery, com 4 anos, batendo um atabaque. A pauta da reportagem mudou e publicamos uma matéria revelando como crianças e adolescentes se preparam para a religião. Percebi que elas possuem um imenso conhecimento sobre o yorubá, uma língua africana, elas também conhecem mitos, danças, rituais, conhecem os usos diferenciados das folhas e ervas. Ao mesmo tempo, percebi que crianças e jovens respeitam muito os mais velhos no terreiro, mas são igualmente respeitadas por estes. Ou seja, o terreiro inverte a lógica adultocêntrica que opera na sociedade de maneira geral e particularmente nas escolas. A matéria agradou bastante às comunidades de terreiros, mas o bispo Macedo comprou as imagens que fizemos no Jornal O Dia (as fotos passam a pertencer às agências dos jornais) e publicou na Folha Universal uma matéria pejorativa sobre as mesmas crianças. Também publicou um livro com igual conteúdo discriminador. Esse episódio, somado aos depoimentos de Ricardo Nery, que foi chamado na escola de “filho do Diabo”, me fez desejar pesquisar na área da educação que é onde localizo um espaço fundamental para discutir as diferenças e as discriminações. Fiz então mestrado, doutorado na PUC e pós-doutorado na UERJ sempre pensando sobre essas questões. Esperei 20 anos para ver como um grupo de crianças crescia no candomblé. Fiz várias entrevistas, observei rituais, entrevistei professores, fotografei. Ao mesmo tempo, fui mergulhando em bibliografias sobre o candomblé de forma geral. Sobre crianças no candomblé não havia nada escrito, esse é o primeiro livro sobre a iniciação de crianças e o primeiro a tratar dessa religião na área da educação.


Nessas escolas, a senhora notou outras formas de preconceito? Contra negros, por exemplo?

É importante reforçar que estou sempre falando a partir dos depoimentos de crianças e jovens e são elas que associam o preconceito religioso ao preconceito racial. Todas as crianças negras, meninos ou meninas são enfáticos quando dizem que são discriminados conjuntamente, eles têm plena consciência disso. Há uma jovem que diz, por exemplo, que ouvia na escola: “é negra, só podia ser do candomblé!”. Aqui o candomblé e a raça são apontados como insultos e um associado ao outro. A abordagem que o pesquisador Antônio Sérgio Guimarães faz sobre insultos raciais, no livro “Classes, Raças e Democracia”, é importante. Ele diz que são atos, observações ou gestos que expressam opiniões negativas sobre uma pessoa ou grupo. Este autor pesquisou, de maio de 1997 a abril de 1998, as queixas registradas na Delegacia de Crimes Raciais de São Paulo. Nesse período, observou que em 82% dos casos, as vítimas fizeram questão de registrar os insultos verbais sofridos. Há registros de insultos como “fedido”, “nojento”, “sujo” e, também sobre a religião. O termo “macumbeiro” aparece registrado como insulto. Na escola existe a mesma lógica. Uma aluna negra ou aluno negro quando é insultado é chamado muitas vezes de “negro, sujo e macumbeiro”. Há vários relatos de pais de crianças que passaram a vida ouvindo “é negra, só pode ser ladra, cuidado!” São relatos que infelizmente revelam que não vivemos em uma democracia racial. Pelo contrário, o Brasil é um país racista e o racismo está presente na escola.


Muitas pessoas são contrárias ao Ensino Religioso porque consideram que a escola deve ser um espaço laico. Concorda com esta tese?

Concordo sim. Acho que a educação pública deve ser laica, mas, desde a chegada dos jesuítas, nossa escolarização foi marcada por objetivos de catequese e até hoje não temos uma educação de fato laica. A proclamação da República, em 1889, separa Estado e Igreja Católica, mas só a Constituição de 1891 garante o ensino laico nas escolas públicas. A atual Constituição, de 1988, não instituiu qualquer religião como oficial do Estado, mas, em seu artigo 210, garante a obrigatoriedade do Ensino Religioso, o que é uma contradição. É importante ressaltar que esse equívoco de confundir a fé privada com o espaço público não é exclusividade do Ensino Religioso, ele reforça isso, mas muitos professores e professoras de diversas disciplinas acham que a escola pública deve ser usada para conversão de alunos, o que é um absurdo imenso que deve ser combatido, proibido e discutido profundamente nos cursos de formação de professores.


A senhora acompanha a questão do Ensino Religioso nas escolas? Tem visto problemas?

Acompanho e tenho visto muitos problemas. No caso do Rio de Janeiro, por exemplo, em 2004, houve concurso público para professores de religião e 500 professores foram contratados, sendo 68,2% católicos, 26,31% evangélicos e 5,26% de outras religiões. É o que se chama de modalidade confessional. Na Coordenação de Ensino Religioso informam não há proselitismo, ou seja, não há catequeses e sim “valores”. Mas na prática não é o que acontece. Os depoimentos revelam que em muitas escolas se reza o Pai-Nosso. A Igreja Católica lançou uma coleção de livros didáticos católicos em 2007. Professores afirmam que selecionam o que há de comum entre católicos e evangélicos e planejam assim suas aulas, convertem alunos como já disse aqui. A Secretaria de Educação não realiza encontros periódicos para avaliar problemas de matemática, de história ou de química, por exemplo, e traçar projetos de solução. Mas faz encontros sistemáticos com os professores de religião e organiza, principalmente, a inserção da Campanha da Fraternidade de cada ano nas escolas públicas. Isso devia ser crime porque é evidente que fere a laicidade, que privilegia grupos hegemônicos, portanto, é evidente que é inconstitucional. Na Bahia, professores de qualquer disciplina completam carga horária com Ensino Religioso, enfim, há problemas por todos os lados. É por isso que defendo uma Proposta de Emenda Constitucional para que a obrigatoriedade do Ensino Religioso seja retirada da Constituição Federal.


Então a religião deve ser proibida na escola?

Acho que não podemos ter Ensino Religioso como disciplina. Também acho que o calendário escolar, os murais, os painéis não devem ser hegemonizados pela religião católica como, na verdade, são. Significa dizer que as diferentes religiões não podem entrar na escola? Não, não significa. Conheci um garotinho Wicca na passeata pela Liberdade Religiosa, no dia 16 de setembro. Eu nem sabia o que era isso e perguntei. É uma religião neopagã, iniciática, sacerdotal, mítica, politeísta, de culto dualista e orientação matrifocal. Praticam Sabás e Esbás. Que professor de Ensino Religioso estará capacitado a ensinar a história de todas as religiões? Isso não existe. Ainda que concordássemos com uma disciplina de História das Religiões, como alguns defendem, muitas seriam excluídas porque é impossível calcular a multiplicidade de significações humanas para a vida e a morte. Acho que esse garotinho Wicca pode entrar com o que o identifica. O menino judeu também. O católico, a evangélica, o candomblecista, a kardecista e todas as multiplicidades podem entrar na escola. Lidar com essa diferença é primeiro reconhecer que ela existe. Depois? É abraçá-la e dançar com ela, aprender e ensinar com ela. É ouvir do menino Wicca como foi seu fim de semana e pedir que ele explique o que é um Sabá. Pedir ao candomblecista que explique o que é um ebó. Para isso não precisamos de uma disciplina, mas precisamos entender que tudo isso são saberes e significações que penetram na escola, nos desenhos em cadernos. Na música que se canta baixinho e escondido. Na carteira que vira um atabaque em mãozinhas silenciosas que repetem um toque do terreiro. Ao invés de reprimir, que tal se pedirmos: “Ricardo, Patryck, João! Ensina esse toque para a turma. Diz para nós o que significa!” O professor de química pode fazer isso, todos podem.


Que contribuições para a formação educacional e humana de um estudante o trabalho com as religiões, no ambiente escolar, poderia trazer?

A opção religiosa, o modo como se percebe e significa o mundo é uma escolha íntima, singular. Nenhuma escola deve se intrometer nisso, a não ser garantindo a liberdade para que escolhas sejam feitas. Professores e professoras enfrentam muitos desafios no cotidiano das escolas. São baixos salários, plano de carreiras deficientes, precarização dos espaços escolares e da própria formação docente. Lidar com as diferenças na escola é mais um gigantesco desafio. E são múltiplas essas diferenças, inclusive a religiosa. A formação educacional e humana é uma coisa só. A educação só acontece entre seres humanos. É claro que todos os espaços religiosos ensinam, mas, como educadores, devemos perguntar o que se ensina? Se uma religião ensina a ser racista, homofóbico, machista e a discriminar outras religiões penso que esta religião está no campo oposto da educação libertária, igualitária e multicultural na qual acredito. Estou convencida de que ensinar a não ser racista, a não ser homofóbico, a não discriminar famílias constituídas pelas diversas orientações sexuais, a não ser machista é fundamental. Se uma atitude discriminadora acontece na sala de aula, discutir essa atitude é mais importante do que o conteúdo a ser dado. Se a atitude discriminadora foi causada por motivação religiosa podemos conversar porque uma religião ensina a discriminar. É essa discussão que colabora com a educação que respeita as diferenças. Nenhuma equação, fórmula, verbo ou oração subordinada é mais importante do que isso.


Como a senhora acha que seu livro ajuda nessa discussão?

Tenho recebido de todo Brasil muitas mensagens de crianças e jovens de candomblé dizendo que se reconhecem no livro. Muitos adultos se emocionam porque ali também enxergam sua história e só isso já me deixa extremamente feliz. Ao mesmo tempo, professores e professoras também escrevem dizendo poxa isso acontece na minha escola e me chamam para discutir e isso também em todo o Brasil. Eu não esperava tanta repercussão, mas queria poder contribuir e penso que isso vem acontecendo. Só gostaria de dizer que são as crianças e jovens que estão no livro, com suas histórias de vida, que estão causando esse movimento todo.
 
#DICA DE WILSON SANTANA

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Semana da Cultura no ISERJ


Nos dias de 25 a 29 de setembro de 2012 acontecerá a Semana Cultural no ISERJ.
 
Terça - Anos Finais e PAD AFEF;

Quarta -Ensino Médio, Subsequente e EJAM;

Quinta - Anos Iniciais e

Sexta - Educação Infantil (Creche, Pré-escola e Casa da Criança) e Espaços de Educação Especial.

No sábado dia 29/9/2012 - a Festa será do ISERJ integrado, com todos os segmentos e as famílias: uma grande exposição, com oficinas, apresentações de dança, música e muito mais!!! Uma manhã especial!

 
Para acessar a programação completa clique aqui

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Cadê o reboque, Prefeitura?


Pois é, apesar da rua aparentemente deserta por conta do sinal fechado, não passam das 19h. Observe que as luzes do 2º andar ainda estão acesas!
Porém, dois espertos motoristas, que adentraram no prédio da FRATEC - Cursos Técnicos Profissionalisantes, estacionaram tranquilamente seus carros na calçada do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro, enquanto os alunos do ISERJ não o fazem, pois, embora também não tenham estacionamento sabem que aquela entrada é para veículos de portadores de necessidades especiais ou ambulâncias.
O mais legal foi ver o marketing político do prefeito Eduardo Paes em um dos veículos estacionado em local impróprio.
Cadê multa e reboque para esse povo?!
Desculpe se faltou o nariz de palhaço nessa Intervenção Nômade e Poética.
 .

Dizem prá você
Obedecer!
Dizem prá você
Responder!
Dizem prá você
Cooperar!
Dizem prá você
Respeitar!...

_____Polícia - Titãs

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Como assim? Rio Card Universitário?


Aí, galera iserjiana!

Se os universitários do IST-RIO têm esse direito anunciado publicamente acho que os estudantes do ISERJ, principalmente os cotistas, tb devem ter! Ou não?
Rio Card Universitário apenas para o IST-RIO? Como assim?
Muitos alunos já me perguntaram e tentei saber pelo site do Riocard, mas fiquei clicando a esmo. Liguei para a central de atendimentos, mandei e-mail à UNE e também não obtive informação alguma.

A foto desse aviso no mural do IST-RIO, unidade do ensino superior da FAETEC de Quintino foi tirada ontem.

Liguem para:


  •  Márcia UNE CEL: 9778-9794
  • Ouvidoria FAETEC: 2332-4265 / 2332-4266 / 2332-4276 
  • Ou clique aqui e encontre outros telefones para buscar essa informação e reclamar seus direitos de universitário cotista da rede FAETEC.