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quinta-feira, 7 de julho de 2016

UMA GREVE HISTÓRICA FOI TERMINADA


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"Termina uma greve histórica dos professores da rede FAETEC. Apesar da nossa luta, dos nossos esforços, de vários meses sustentando uma situação das mais tensas, amargamos hoje uma derrota fragorosa. Nenhuma de nossas reivindicações foi atendida, as mesmas promessas de 2013 se perpetuam, não temos garatia de nada. Nosso sindicato mais uma vez atuou contra a categoria e assinou um acordo que, pasmem, decreta o código de falta com corte de ponto do servidor que permanecer na greve, com possibilidade de exoneração em dez dias. Com uma representação dessas a derrota é certa. A base ainda conseguiu resistir bravamente, procurando manter a negociação ainda sob a tensão da greve, mas hoje não houve escapatória. A assembleia foi feita somente para nos informar do acordo ultrajante que o sindicato assinou sem a autorização da base.
Detalhe, a volta às aulas se fará sem funcionários da limpeza, da segurança e da cozinha. A escola está em péssimo estado, com larvas e focos de doença se proliferando. Nossa saúde e a dos alunos do ISERJ está exposta a essas condições degradantes, como pode se ver no vídeo a seguir." - Olecram



quarta-feira, 6 de julho de 2016

OCUPA MAIS





Outro dia dei uma passada pela Tijuca. Passando pela Mariz e Barros avistei um rapaz varrendo as folhas secas no jardim do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro ao entardecer. Pára o mundo que eu quero descer!

Bateu um misto de saudade, tristeza e curiosidade. Resolvi falar com ele e dei logo uma carteirada ao estilo "você sabe com quem está falando?" (mentirinha)
Estava com minha carteirinha de ex-iserjiana e para minha surpresa o jovem era da Pedagogia e estava lá dando uma força aos secundaristas. Me convidou para ver a ocupação. Recusei?

Na entrada vi a rapaziada linda do Ocupa ISERJ zelando pela escola pública deles em pleno domingo. Corredores e pátio varridos! E eu pensando que fosse encontrar alguma chopada rolando com direito a churrasco,  maconha e energéticos. Que nada!!! Aliás, nem cigarro comum os vi fumando.

Na cozinha uma jovem estudante da Pedagogia estava providenciando algum rango pra essa moçada. Pelo cheiro acho que era uma bela macarronada.
Em algumas mesa do refeitório já estavam divididas as doações para distribuir aos terceirizados que estão sem pagamento há uns 5 meses. 

Pensei que esses graduandos eram do Centro Acadêmico, mas disseram que não. E entendi que estão sem Centro Acadêmico.
Oi? Como assim? Quer dizer que os estudantes da Pedagogia Iserjiana perderam suas 3 cadeiras no colegiado acadêmico com direito a voto assim de bobeira? Ou os atuais conselheiros da Pedagogia estão incógnitos, e são contrários a ocupação? Perguntas sem respostas que me fiz depois. Pois é.




Será que a culpa pelo sucateamento da educação, falta de pagamento aos terceirizados e greve dos professores é dos ocupantes que estão velando suas escolas a espera de um milagre? Não creio.

Pelo facebook surgiu um movimento contrário a essa ocupação. É preciso tentar entender melhor o que o Desocupa ISERJ pretende. Até onde sabemos essa ocupação iserjiana não sitiou a instituição inteira para que insurgisse um movimento contrário. Não estão depredando o patrimônio público. Enfim ...

Nomes antagônicos, mas talvez seja apenas uma  "pseudo oposição", algo  virtual, político e midiático para agraciar alguns pais e a atual direção, ainda não está claro. A suspeita é que pretendam se apropiar do protagonismo desses jovens e corajosos estudantes, e ainda posar de heróis ao final da ocupação. Será?

Mas uma coisa é fato, já que a ocupação está cuidando da escola, varrendo pátio e corredores, lavando banheiros, mantendo a cozinha em ordem, e ensacando o lixo, ou seja, cumprindo funções de apoio que os terceirizados não pagos se virão obrigados a deixar de fazer, será que o povo do Desocupa ISERJ ou a a própria direção podiam dar uma forcinha para ajudar a desocupar essas lixeiras?
Por favor!
Sugestões? Clique aqui
#OcupaMais
#S.O.S.COMLURB



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sábado, 2 de julho de 2016

ELEIÇÕES PARA DIRETORES JÁ!

"Eleições para Diretores das Escolas da Faetec Já!"
Mas com direito a debate entre os candidatos no dia da tal feijoada para os pais, alunos, e responsáveis. Combinado?





O SILÊNCIO PEDAGÓGICO DO ENSINO SUPERIOR ISERJIANO

"O que marca a crise na educação do Rio de Janeiro não é o sucateamento que gera a greve ou as ocupações estudantis do ensino médio. É o silêncio. (...) Refiro-me ao silêncio interno dos acadêmicos, ao menos dentro do Iserj. Não digo todos. Mas do silêncio de grande parte dos estudantes do superior. Contam-se nos dedos os que, como colibris, seguem tentando apagar o incêndio da floresta com o bico."

O desinteresse dos alunos do ISERJ: sintoma global?

sexta-feira, 1 de julho de 2016

A TRADIÇÃO COMO FARSA



"Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára" (Cazuza)

Quem fez, faz ou pensa em fazer Pedagogia no Iserj deveria ler essa tese para se situar.

TONÁCIO, Glória de Melo.
O processo de criação do curso normal superior no Instituto Superior de
Educação do Rio de Janeiro e a sua adequação em Curso de Pedagogia: a
tradição como farsa
Glória de Melo Tonácio. 2011. V. 1
643 f.:il
Tese (Doutorado em Educação) –
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade Educação,
Rio de Janeiro, 2011
Orientador: Prof. Dr. Roberto Leher
1. POLÍTICA DE FORMAÇÃO DOCENTE 2.CURSO NORMAL SUPERIOR
3.INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO 4.PEDAGOGIA-
5. CAPITALISMO DEPENDENTE
Tese.
I. Leher, Roberto (Orient.). II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Faculdade
de Educação. Pós-Graduação em Educação. III. Título


Link da Tese

Carta de exoneração de professora do Ensino Superior da Faetec.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

#ProntoFalei

Luana Lima


Eu tô CANSADA desse país racista de merda!
Cansada de ler comentários como esse, após ler essa reportagem:

"É triste ver negros se vitimando, coloca uma coisa na cabeça, vocês não são raças, são seres humanos como qualquer outro, infelizmente o ladrão que a assaltou tinha as características dele, mas se fosse um ladrão branco com as mesmas características teria o mesmo destino. Isso é se vitimar, não existe um ser melhor que o outro por conta da cor, temos policiais negros, comandantes negros, políticos negros, em qualquer casta da sociedade há negros, dizer que o crime foi ser negro é se vitimar do seu próprio EU."

Cansada do discurso usado por esse IMBECIL ser recorrente!

Tô cansada de ouvir esses HIPÓCRITAS falando! Cansada de ouvir "não existe racismo", ah não? Claro, que não, né!?

O que aconteceu com esse ator não foi racismo, imagina... Se fosse um branco aconteceria tudo da mesma maneira, né! Claro que sim! 
Também não foi racismo quando um jovem NEGRO, filho de uma empregada doméstica, passou para MEDICINA e quando estava voltando para casa foi confundido com um bandido e morto por policiais... Ah, também não foi racismo quando uma professora de uma escola mineira mandou a sua aluna NEGRA dançar com um cabo de vassoura porque ninguém queria dançar com ela... E outra mandou um aluno que estava fazendo bagunça sentar ao lado do aluno negro como forma de punição...

Isso não é racismo, claro que não!

Também não é racismo uma participante do BBB dizer "tenho tudo de uma negona, até o cheiro, me deixa sem desodorante pra vc ver"... Não é racismo mesmo né, afinal ela está falando a verdade, só o negro fede se ficar sem desodorante, o branco não...

Também não é o retrato de uma sociedade racista o fato da única pessoa ainda presa por conta das manifestações de junho ser negra... Não existe racismo, né!
Eu e minha prima tomamos uma tomatada na cara de duas crianças brancas que estavam em um ônibus e ficaram rindo da gente (nessa época eu tinha uns 10 anos), mas isso de forma alguma foi racismo, foi só uma brincadeira de criança... Só quem tem a PELE sabe como é, o resto é FALÁCIA!


E pra você que nos comentários dessa reportagem estava se gabando de ser alemão e não ser racista por ter se casado com uma africana, saiba: COMER OU ATÉ SE CASAR COM UMA MULATA NÃO TE FAZ MENOS RACISTA!

BABACAS!






Fonte:

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

"ENTRE ASPAS"

Mônica Vândala

Valeu ver o "pito na Globo em plena Globo". Eu não morro de amores por essa emissora ou pelos EUA. Sabemos que onde quer que haja petróleo os americanos terão o apoio das nossas mídias para "pacificar" os conflitos. No entanto me pergunto:
Será que o povo venezuelano que está nas ruas manifestando a sua indignação está assim tão errado? A "democracia" lá está em pé de igualdade com a daqui?
Teria de ter um bom embasamento político e econômico sobre a Venezuela para ousar debater sobre o que está acontecendo naquele país. Mas enquanto "massa manipulável" não me parece tão diferente do que vivemos em matéria de insatisfação popular, manifestações de rua e repressão. A diferença gritante que pude perceber é que enquanto aqui os alimentos estão com preços $urreais, lá simplesmente estão desaparecendo das prateleiras dos mercados. E a responsabilidade por esse desabastecimento seria de quem? Do racha da oposição e dos vândalos mascarados?! Não creio.
Eu até gostaria de ler mais sobre essa crise venezuelana e tentar compreendê-la apartidariamente. Mas o problema é encontrar um texto imparcial. Sempre fico com a sensação de que a ideologia mascara a realidade alheia com suas frases de efeito de séculos passados. Certa vez ouvi de uma professora uma dolorosa verdade quando comentei que determinada pesquisa era 'tendenciosa':
"A pesquisa foi séria, tendenciosa é a pesquisadora."
O comentário de Marina Costin Fuser, que se diz filha de Igor Fuser, no post dessa imagem também me deixa com pulgas zumbis atrás das orelhas:
"... meu pai é um especialista: se doutorou pela USP em relações internacionais onde obteve a nota máxima, pesquisa a Venezuela há anos e foi convidado pelo governo a observar o último processo eleitoral em que Maduro foi eleito presidente..."
Pois daí novamente questiono:
Se alguém fosse convidado pelo governo venezuelano, pelo brasileiro ou pelo cubano a observar o processo eleitoral de Maduro ou a comentar sobre a crise que o país atravessa, teceria críticas ou elogios ao regime?
Da mesma forma acredito que se alguém fosse convidado pelo governo americano a observar e comentar a crise econômica dos EUA, endossaria todas as ações do Obama. Ou não?
De qualquer maneira vale a pena assistir o debate na íntegra, e entender um pouquinho do que se passa na Venezuela. Tire suas próprias conclusões e ria um pouco da saia justa que a minha xará Monica Waldvogel se meteu.


Fontes:



domingo, 16 de fevereiro de 2014

CALA A BOCA JÁ MORREU!

Super feliz em ver esse ano as reivindicações discentes antigas começarem a ser atendidas pela nossa instituição de ensino superior. Valeu ISERJ!!!
Finalmente a nossa Pedagogia está sendo verdadeiramente informatizada!!!
Inscrições para eletivas de 2014.1 disponíveis pelo link!!!
http://www.iserj.net/eletivas/
Que link VIP!!!

Resta agora a curiosidade mórbida em saber porque todas essas inovações no ensino superior ainda não estão públicas no site oficial www.iserj.net que está em construção desde quando?!!
Se a pessoa que me lê for ao SITE OFICIAL DO ISERJ e tentar acessar as eletivas por lá, sem ser pelo link VIP, não conseguirá. Vai até crer que a Pedagogia Iserj nunca existiu.





terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Diálogos improváveis entre pais e filhos no país do futebol - Bandeiras, ideologias e o milagre da educação em ano de Copa no Brasil

Mônica Vândala


'SOCORRO! PAPAI VIROU PETISTA!'

O MILAGRE DA EDUCAÇÃO

O pai chega em casa vestido numa novíssima camisa do PT. Entra no quarto do filho e beija o retrato de Che Guevara na parede. O rapaz espantado pergunta:

- Que é isso paí? Ficou maluco? Logo você que é o maior "coxinha", "reaça" de primeira vestindo a camisa do PT?

- Que nada filho! Agora sou petista! Conversamos tanto sobre o Partido que você me convenceu! PT! PT! VIVA O PT! - grita o velho.

O rapaz, membro do DCE da universidade onde já faz um curso de quatro anos há oito anos e fiel colaborador da JPT não se aguenta de tanta alegria!

- Senta aí companheiro! Vamos conversar! O que foi que te levou a essa decisão?

O pai senta-se ao lado do filho e explica:

- Pois é... cansei de discutir contigo e passei a achar que você tem razão. Por falar nisso, lembra do Luís, aquele que te pediu dois mil reais da tua poupança emprestado para dar entrada numa moto?

- O que tem ele? Pergunta o filho...

- Pois é... Liguei pra casa dele e perdoei a dívida. E fiz mais! Falei que ele não precisa se preocupar com as prestações, pois vou usar oitenta por cento da sua mesada para pagar o financiamento!

- Pai!!!!! Você ficou louco? Pirou?

- Filho, lembre-se que agora nós somos petistas" Perdoar dívidas e financiar o que não é nosso com o que não é nosso é a nossa especialidade! Temos que dar o exemplo! E tem mais! Agora 49% do seu carro eu passei para sua irmã. Vendi pra ela quase a metade do seu carro! Dessa forma você continua majoritário mas só podendo usá-lo em 51% do tempo!

- Mas o carro é meu, papai! Não podia fazer isso! Não pode vender o que é seu!

- Podia sim! Nossa Presidenta fez isso com a Petrobrás e você foi o primeiro a apoiar! Só estamos seguindo o caminho dela! O garoto, incrédulo e desolado entra em desespero, mas o pai continua:

- Outra coisa! Doei seu computador, seu notebook e seu tablet para os carentes lá do morro. Agora eles vão poder se conectar!

- Pai! Que sacanagem é essa?

- Não é sacanagem não, filho! Nós petistas defendemos a doação do que não é nosso, lembra? Doamos aviões, helicópteros, tanques... O que é um computador, um tablet e um note diante disso? Prestes a entrar em colapso, o garoto recebe a última notícia:

- Filho, lembra daquele assaltante que te ameaçou de morte, te espancou e roubou teu celular? Vou agora mesmo retirar a queixa e depois para a porta da penitenciária exigir a soltura dele, dizendo que ele é inocente!

- Pai... pelo amor de Deus... Você não pode fazer isso... O cara é perigoso!

- Perigoso nada! É direitos Humanos que nós pregamos, filho! Somos petistas com muito orgulho!

- Mas o cara me espancou! Me roubou, pai!

- Alto lá! Não há provas disso! Isso é estado de exceção! O rapaz é inocente! Nós fizemos a mesma coisa com os companheiros acusados no mensalão!

- Mas ele estava armado quando a polícia chegou!

- E daí????? Ele estava armado mas quem prova que a arma era dele? A revista Veja? Isso é coisa de reaça, filho!

- Papai, você ficou doido! E o pai finaliza:

- Fiquei doido, ô seu filho da p....? Na hora de defender bandido que roubou uma nação você é petista, mas se roubarem você, deixa de ser. Na hora de doar, perdoar dívidas e fazer financiamentos com o que é dos outros, você é petista. Mas se fizer o mesmo com você, deixa de ser. Na hora de dilapidar o patrimônio nacional, vendendo o que é mais precioso e não pertence ao PT e sim ao povo, você é petista, mas se vender metade do que é seu, você deixa de ser! Dito isso, tirou o cinto de couro grosso e mandou a cinturada no moleque!

- TO-MA IS-SO SEU FI-LHO DA P... CRE-TI-NO PRA APRENDER A SER HOMEM E ASSUMIR SUAS IDÉIAS! VAGABUNDO ORDINÁRIO! SALAFRÁRIO! PEGA AS SUAS COISAS E SUMA DAQUI!

- Vou pra onde, papai? Perguntou chorando...

- DANE-SE! Agora você é um dos sem-teto que você defende, seu moleque cagão! E vai se consultar com médico cubano, porque eu cancelei teu plano de saúde! Dois dias depois o moleque bateu na porta curado. Não era mais petista e não havia mais DCE ou JPT. E nem chamava o pai de "reaça". O milagre da educação aconteceu.

O mal do petista é falta de cinturada no lombo!

(Por Marcelo Rates Quaranta)

'SOCORRO! PAPAI VIROU BLACK BLOC!'

- Filho, eu descobri essas coisas no seu armário...
- Qual é o problema de ter uma máscara do anônimos e um taco de beisebol?
- Você usa isso?
- Não... quer dizer, às vezes...
- É que estou precisando. Será que você me empresta?
- Precisando? Pra quê?
- É que eu li as coisas que você andou escrevendo na internet...
- Você andou lendo o meu face?
- Qual é o problema? Não é público?
- É...mas...
- Pois é, eu li o que você escreveu e ...
- Pai, eu sei que você não gostou do que eu escrevi lá , mas... eu não vou discutir, são as minhas ideias. Eu sou anarquista e...
-Não. Eu até achei legal. Você me convenceu.
- Convenci? De quê?
- Tá tudo errado mesmo... eu li o que você escreveu e concordo. Agora eu sou anarquista também, que nem você...
- Você o quê? Pai... que história é essa?
- É, você fez a minha cabeça. tem que quebrar tudo mesmo! Agora eu sou Old Black Bloc!
- Pai, você não pode... você é diretor de uma empresa enorme e...
- Não sou mais não. Larguei o meu emprego. Mandei o meu chefe tomar no ..... Mandei todo mundo lá tomar no .....
- Pai, você não pode largar o seu emprego. Você está há 30 anos lá...
- Posso sim! Aliás tô juntando uma galera pra ir lá quebrar tudo.
- Quebrar tudo onde?
- No meu trabalho! Vamos quebrar tudo ! Abaixo a opressão! Abaixo tudo!
- Você não pode fazer isso, pai...
- Posso sim! É só você me emprestar a máscara e o taco de beisebol. E aí, você vem comigo?
- Não... acho melhor não...
- É melhor você vir porque agora que eu larguei tudo, a gente vai ter que sair desse apartamento...
- Sair daqui? E a gente vai morar aonde?
- Sei lá! Vamos acampar em frente a uma empresa capitalista qualquer e exigir o fim do capitalismo!
- Pai, você não pode fazer isso ! Não pode abandonar tudo!
- Tô indo! Fui!
- Peraí, pai! E onde eu vou morar? E minha mesada ? E meu computador ? Volta aqui! Volta aqui, pai!!! Voooltaaaaa!

(Por Lú Pastorini)

Algumas considerações:

Ambos os improváveis diálogos são ótimos para reflexão e debate, embora contra-argumentar com petistas e anarquistas seja uma tarefa tão complicada quanto jogar xadrez com pombos. Eles defecam no tabuleiro, derrubam as peças e saem de peito estufado cantando vitórias.
Os textos foram muito bem pensados e redigidos. Parece até aquela antiga receita secreta e deliciosa da vovó que sempre dá certo para bolo de coco, de chocolate ou de fubá. Mas qual texto foi escrito primeiro? O anarquista ou o petista?
Pouco importa nos aprisionarmos a esse pequeno detalhe.
Nesse caso específico é apenas uma curiosidade tola e desnecessária ao contexto principal.
Pois mesmo com ideologias contrárias os textos inegavelmente se complementam. Ilustram a situação política atual, caótica, delicada e confusa que o país anda vivendo publicamente na mídia internacional desde junho de 2013.

O estopim das manifestações nacionais de junho foi aceso  por conta da mobilização dos estudantes ativistas do Movimento Passe Livre de Sampa - MPL-SP contra o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus. Isso pipocou de Norte a Sul do país, e fora dele também teve apoio popular com o slogan: NÃO É APENAS POR 20 CENTAVOS!!! Que foi escrito e falado em diversos idiomas com muitos compartilhamentos nas redes sociais.

Aqui no Rio de Janeiro iniciou um pouco antes. Em março a remoção forçada e truculenta dos indígenas da Aldeia Maracanã teve uma repercussão internacional muito negativa. A ameaça de demolição do histórico prédio do Antigo Museu do Índio criado por Darcy Ribeiro, antiga sede do SPI de Rondon, para as obras de revitalização do entorno do Maracanã foi o marco da mobilização popular carioca que teve direito até a arma sônica e todos os outros "equipamentos não letais" que Batalhão de Choque decidiu testar na população descontente com as arbitrariedades do nosso onipotênte Cabralzinho.

A questão é que pelas redes sociais essas mobilizações populares tomaram proporções dantescas e até então inimagináveis aos governantes tupiniquins, que estrategicamente recuaram diante da massa anônima e enfurecida. Diversos movimentos sociais se agregaram, como os contrários as remoções forçadas para as obras da Copa 2014, os sem teto, o movimento LGBTTTs e outros tantos mais surgiram em 2013. Apesar da diversidade, toda essa gente insatisfeita também tinha algumas reivindicações em comum: o fim da corrupção, mais saúde e mais educação.

Detalhe interessante:

Depois veio a tona que esse movimento, MPL-SP, era patrocinado com verbas de DCEs de universidades públicas paulistas e partidos de esquerda, inclusive o PT. Com tudo isso jogado no ventilador e o próprio Lula fazendo reunião com essa jovem liderança, o MPL-SP sutilmente se retirou de cena política, e aparentemente com ajuda da mídia vendida e oportunista tentou esvaziar a mobilização popular orquestrada por eventos públicos no Facebook que bombavam. Mas não adiantou, o caldo já havia entornado e surgiu também a mídia ninja cobrindo as manifestações que a mídia tradicional editava como bem queria para atender seus próprios interesses.

Os simpatizantes dessa anarquia popular que foram às ruas não se sentiam representados pelos atuais políticos e suas ligações esdrúxulas com os favorecidos nessas parcerias público privadas - PPPs. Assim, começaram a se ver representados pelos vândalos e baderneiros mascarados que surgiam a cada nova manifestação, e literalmente botavam para quebrar em cima os símbolos do capitalismo que usurpam do povo carente as esperanças de uma vida melhor. (Abafa!!!) 

Conclusão:

São várias faces cruéis da mesma moeda $urreal que vivenciaremos nesse ano de provável reeleição de Dilma. A mesma presidenta que patrocina os portos de Cuba e do Uruguai com dinheiro do BNDES e faz vista grossa para a educação pública brasileira que vai cada vez mais para o ralo enquanto os professores são espancados nas manifestações quando fazem greve por melhores salários, condições de trabalho menos indignas, exigem planos de cargos e carreira, salas de aula climatizada e denunciam a grana preta desviada do Fundeb.

Ainda vivemos em um Brasil colonial de contrastes paradoxais gritantes. Às vésperas da Copa de 2014 com obras superfaturadas onde o preço de tudo o que se come está absurdamente caro, ainda vemos nas redes sociais as ditas 'pessoas de bem', escolarizadas, defendendo a pena de morte e ações de milicianos ou justiceiros pelo linchamento de um miserável ladrão. Dia 1º de fevereiro um adolescente negro de 15 anos foi preso pelo pescoço ao poste com uma tranca de bicicleta completamente nu e surrado como se fosse um escravo no Pelourinho. Isso em plena zona sul carioca na véspera do dia de Iemanjá. Odoiá minha mãe! Tendes piedade do nós!

Esse cabo de guerra tensionado entre situação e oposição é uma constante na história política de qualquer nação. Cada lado sempre defenderá aguerridamente sua ideologia de acordo com sua percepção do presente e perspectiva de futuro cegamente acreditando numa verdade absoluta implantada em algum passado recente.
No entanto, o que muitos ainda não se deram conta é que no século XXI não existem mais verdades absolutas inquestionáveis. Tudo que parecia tão sólido se desmancha no ar como se fosse naftalina. Ideologias são apenas ideias antigas criadas por determinados grupos sociais elitizados para se fortalecerem e se perpetuarem no poder. No Brasil, ambas as forças que disputam nossa simpatia, cada qual a sua maneira e utilizando as armas que têm, estão verdadeiramente quebrando o nosso lindo país tropical.
E a incógnita que permanece é a seguinte:
Quem vai lucrar com essa crise brasileira?
O nosso povo da periferia que sofre com as chuvas a cada verão, que chacoalha nos trens quentes e superlotados da Supervia que vive descarrilando, indo e vindo do trabalho como gado conduzido para o abate, já desconfiamos que provavelmente não é.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Vamos ao Zoo? Vale AACC!!!

O Bicho 
Manuel Bandeira
Vi ontem um bicho
 
Na imundície do pátio


Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,


Não examinava nem cheirava:


Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,


Não era um gato,


Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.



CRIANÇA AFRICANA EM ZOO HUMANO, NA BÉLGICA, EM 1958 - Fotógrafo desconhecido.

"Não se sabe exatamente a nacionalidade da criança, mas é certo que seja uma criança africana. O Zoológico humano funcionava na cidade de Bruxelas. Aqui vemos uma mulher oferecer comida como faria com qualquer outro animal de um zoo comum."


GLOBELEZA 2014 


PROPAGANDA DA COPA 2014

Mais sobre Zoos Humanos:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/12/111201_galeria_shows_etnicos_df.shtml

http://semioticas1.blogspot.com.br/2011/12/o-animal-humano.html

terça-feira, 26 de novembro de 2013

PARTILHANDO VIVÊNCIAS, PROJETOS E ESPERANÇAS




Eu sempre fui mesmo que sem querer uma professora, mesmo que de início uma má educadora.
Fui a irmã mais velha, encarregada de ajudar nas lições dos irmãos menores, pois a minha mãe, coitada, não dava conta desse extra. Embora meu pai fosse professor de matemática, era também militar, e essa tarefa de “explicadora” sobrava para mim. Culpo-me até hoje pela má caligrafia que meu irmão caçula, embora morra de orgulho das suas conquistas. Além de militar, ele é graduando de Geografia, mais um futuro professor.
Na infância, eu era a culpada de dar os maus exemplos, de não ensinar direito, e embora pretendesse fazer magistério desde pequena, sempre fui desestimulada a isso, praticamente sabotada, porque já haviam definido que eu faria uma faculdade. Medicina, Engenharia ou Arquitetura? A profissão de professor nessa época já estava em franca decadência.
O grande problema é que não era isso que eu queria. Na época do antigo científico, eu já nem mais sabia o que realmente queria estudar para me profissionalizar. Sempre tive facilidade com matemática, desenho, música e gostava de redação, mas odiava as provas de Gramática, Geografia e Biologia. Eu não pensava seriamente em prestar vestibular, queria apenas ser professora. Mas quando viemos morar no Rio de Janeiro, eu fui matriculada no científico e logo depois a minha mãe adoeceu.
Aos dezessete anos, quando a minha mãe morreu, abandonei tudo, sabendo que estava rompendo laços eternos. Fugi de casa sabendo que não poderia voltar nunca mais. Abandonei a escola e também os meus irmãos, à loucura de um pai desesperado, vendo-se viúvo e responsável por três adolescentes, ainda mais com uma filha quase adulta e problemática como ele dizia que eu era. E talvez eu fosse mesmo.
 Quando resolvi fugir de casa, pensei que parcialmente solucionava um problema familiar, pois seriam, a partir da minha fuga, apenas dois para ele cuidar. Na época, parti sem arrependimentos, embora hoje eu me considere uma covarde, pois deveria tê-lo enfrentado apesar do medo. No entanto, naquela época, eu preferi evitar o confronto e tentar ser feliz.
Mas a vida dá voltas muito rápidas, e não demorou mais que um ano para eu ser a professorinha do MOBRAL de uma cidade litorânea, distrito de Maricá, onde eu também era manicure, sacoleira, diarista e, francamente falando, faltava-me didática, prática pedagógica, e todo o resto que eu nunca estudei para ser uma professora de verdade e conseguir alfabetizar um adulto. Durante essa experiência, eu me tornei quase “psicóloga de boteco”, era mais amiga que professora desses alunos, embora nessa época eu nem bebesse nada alcoólico, mas a minha sala de aula era um ex-botequim em frente à Igrejinha de Itaipuaçu.
Meus alunos adultos eram todos analfabetos funcionais. Quando escreviam era apenas o nome para votar. Esses alunos adultos me cobravam métodos de uma cartilha convencional, mas a metodologia do MOBRAL não era essa. Era uma espécie de Paulo Freire às avessas, e eu jamais consegui alfabetizar realmente sequer um adulto, no máximo formei mais um ou dois analfabetos funcionais. Mas, com as crianças do “MOBRALZINHO”, eu obtive pequenos êxitos, porque com eles eu tinha a possibilidade e a liberdade de trabalhar o lúdico por meio da musicalidade. Eu sabia pelo menos tocar violão e eles adoravam cantar.
De início, estava toda preocupada em ensaiar as músicas infantis recomendadas durante o treinamento, mas os pequenos me pediam para tocar “Fuscão Preto”. Eu também acabava ensinando tabuada cantada batucando nas carteiras, pois eu detestava as músicas bregas, embora vez por outra fizesse a vontade deles. Foi uma experiência única e mágica trabalhar com as crianças, pois o MOBRAL estava acabando na década de oitenta.
 Mas vida mudou novamente. Voltei para o Rio de Janeiro, reencontrei uma paixão adolescente, casei, tive meu primeiro filho, tornei-me uma senhora respeitável nos padrões burgueses. Embora sem o perdão do meu pai, a minha avó paterna de oitenta anos veio morar comigo e me ajudou a criar a minha filha. Na empolgação, eu tive mais dois meninos e, graças à ajuda dela, pude curtir a plenitude das infâncias das minhas crias sendo mãe e educadora deles em tempo integral.
Meus filhos antes da escola já estavam alfabetizados. Cada um no seu tempo e de acordo com nossas possibilidades fez atividades extras como cursinhos preparatórios e aulas de natação, mas todos estudaram o ensino básico em escolas públicas.
Eu sou do tempo que rezavam as lendas: “para respeitar o mar é preciso um susto”; “para aprender a andar de bicicleta tem de cair”, embora aos dez anos eu tenha ensinado meu irmão caçula de cinco anos a me levar de carona na bicicleta sem que ele tenha levado um tombo sequer.
Com os meus filhos também foi tranquilo esse aprendizado. Todos aprenderam sem grandes traumas. Apenas com rodinhas das mais baratas adaptadas às pequenas bicicletas, que se desgastavam rapidamente em um quintal enorme e, quando nos dávamos conta, eles já estavam andando de bicicleta sem as rodinhas. Eu não deixava meus filhos brincarem sozinhos na rua, tinha medo, pois naquela época ainda não existia asfalto no loteamento onde moramos.
O pretenso Condomínio Terra do Sol – Jacarepaguá, em 1993 ainda era apenas uma rua de barro batido sem saída, com os bueiros sem tampa, poucas residências e muitos terrenos desocupados, verdadeiros matagais com gambás, micos, corujas, ratos, lixo e novas construções insurgentes a cada nova estação. Um verdadeiro perigo para as minhas crianças pequenas que até então foram criadas em um apartamento no Grajaú com playground e parquinho.
Para compensá-las, transformei o nosso quintal em um verdadeiro jardim de infância com direito à casa de boneca com caixa de jogos, livros infantis e instrumentos musicais, escorrega, balanço, piscina de fibra mínima – diâmetro de dois metros com altura de cinquenta centímetros – e um tanquinho de areia. Passou a ser um local onde eles podiam trazer seus amiguinhos aos finais de semana e se divertir a valer.
A primeira vez que me senti professora foi quando ensinei meu bebê com menos de um ano a mergulhar naquela minúscula piscina. Depois coloquei todos os filhos em aula de natação com uma professora de verdade, e todos aprenderam a nadar e respeitam o mar.
Mas o momento que me senti uma baita professora das minhas crianças foi quando retornou a moda dos patins. Eu não sabia andar de patins, na verdade, tinha alguns traumas da infância longínqua. Na casa de meus pais, era um par de patins para três crianças, e, quando eles estavam nos meus pés, alguém sempre me empurrava e eu caía. Desisti de tentar aprender a patinar na juventude.
Mas, comprei para meus filhos um par de patins para cada, com todos os protetores necessários e ensinei-os dentro de casa mesmo, eram poucos móveis na sala e, como eles eram tão pequenos, a minúscula casa parecia o corredor de um palácio.
 Quando todos aprenderam, animei-me. Convenci-me de que assim como eu soube ensinar-lhes, também aprenderia. Comprei meus patins, pratiquei em casa e depois fui para a rua com minhas crianças. Fase muito boa curtir minhas crias e a rua recém-asfaltada de nosso condomínio.
Em 2009, com os filhos praticamente adultos, para a decepção de alguns, passei no vestibular do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro – ISERJ, uma instituição pública e centenária, referência dos anos dourados da educação pública. Retomei o sonho de infância de ser uma professorinha, e uma das minhas primeiras ações foi abrir um blog para ser uma espécie de caderno virtual da minha turma, compartilhar minhas impressões, dividir com os amigos o nosso aprendizado e me apropriar dessa nova ferramenta educacional. Porém, o blog Pedagogia Iserj tomou uma amplitude que eu nem pretendia, e hoje já tem mais de quarenta e cinco mil acessos.
Por conta desse primeiro blog, ainda em 2009, fui convidada a compor a nova chapa do Centro Acadêmico Cecília Meireles – CACM, simplesmente para abrir um blog para o CACM-ISERJ e podermos deixar públicas as ações dessa representatividade estudantil que estava na transição do Curso Normal Superior para Pedagogia. Fiz parte do CACM até 2012 e também fui conselheira estudantil no colegiado acadêmico do ISERJ durante 2011 e 2012.
Ainda em 2010, enquanto cursava o segundo período de Pedagogia, a convite da minha filha Fernanda, graduanda de Letras na UERJ e de Fabiana Rosa, graduanda de Pedagogia da UERJ, passei a colaborar em um projeto delas junto ao Abrigo Ayrton Senna em Vila Isabel que batizamos com a sigla EAC – Espaço de Aprendizagem Cultural. Duas vezes por semana, durante a tarde, íamos ao abrigo e ficávamos na biblioteca emprestando livros, contando histórias, realizando atividades de leitura e escrita da forma mais natural e lúdica possível. Utilizávamos filmes, músicas, parlendas, dinâmicas de grupo. Muitas vezes era difícil, pois a diversidade da turma era gritante. Tínhamos crianças que estavam alfabetizadas, mas isso não era a regra e ainda faltava-me a prática e a didática de uma professora alfabetizadora.
Para conseguirmos voluntários ou estagiários e podermos dar um atendimento diário às crianças do abrigo, Fernanda e Fabiana escreveram o Projeto EAC e tentaram institucionalizá-lo pela UERJ, mas nada conseguiram. Com a autorização delas, abri o blog Projeto EAC e resolvi tentar essa institucionalização no ISERJ. Sob a coordenação da Malu, atual coordenadora de Pesquisa e Extensão, o projeto foi lindamente reescrito e melhor fundamentado. Porém, apesar de aprovado na reunião do colegiado acadêmico em 2010, o projeto morreu engavetado no setor de estágios do ISERJ, e a ideia de aproveitar aquele espaço no abrigo para estágio obrigatório em espaços não escolares não vingou.
Mesmo assim perseveramos em nosso intuito de levar o projeto adiante durante uns dois anos, mas o espaço conquistado acabou tendo outro destino, voltou a ser espaço de acolhimento de jovens adolescentes que viviam nas ruas em condições de risco.
Em 2011, tornei-me pesquisadora do Projeto Aprender nas Ruas: um projeto transdisciplinar de educação – ProAR, coordenado pela Bia Albernaz. Um projeto com apoio da FAPERJ que nasceu por conta de outro blog, o Cidade Educativa – RJ, criado para publicar os textos produzidos pelos alunos de Pedagogia da disciplina Estudos Interdisciplinares do Rio de Janeiro. E não posso negar que essa experiência de um ano como pesquisadora colaborou para ampliar a minha visão de mundo sobre o que pode ser uma educação transformal além dos muros e grades de uma instituição, pois segundo Jam Clam “A sociedade é, além do privado e do público, o lugar de dissolução de sua diferença”.
Acreditando nesse propósito, comentei a proposta do Projeto EAC em uma reunião com um coletivo que conheci pelo Facebook em 2012 por conta da pesquisa do ProAR. O pessoal da Rede Norte Comum ligado ao SESC-Tijuca abraçou a ideia e está fazendo a diferença para esses jovens no abrigo Ayrton Senna. Esse coletivo tem realizado um trabalho diferenciado por lá com oficinas de produção e edição de vídeo, dobraduras, reciclagem, horta orgânica, debates, etc. Uma vez por mês, nas tardes de sábado, também promovem por lá um evento cultural chamado Ocupa Ayrton onde, compartilhando suas ações nas suas redes sociais, arranjam mais voluntários para disponibilizar aos jovens em condição de acolhimento várias formas de lazer e cultura por meio da arte e da música.
Mas foi principalmente durante essa experiência no Projeto EAC que percebi a real necessidade de investir paralelamente na minha formação contínua com mais especificidade e afinco na alfabetização. Assim, em 2010 decidi fazer o II Curso de Extensão do GEFEL, no qual conheci a Margaridinha e por um semestre também participei como voluntária no seu Projeto Investigativo Lendo e Escrevendo junto às crianças do 5º ano do CAp-ISERJ.
Passei a fazer parte desse grupo de estudos e a ser uma das responsáveis pelas atualizações do blog para a divulgação nas mídias eletrônicas das Sextas no GEFEL, minicursos que acontecem sempre nas tardes das últimas sextas-feiras de cada mês em nossa sala no ISERJ e também divulgar outros eventos ligados à educação nos vários blogs e pages que administro.
No primeiro semestre de 2012, o GEFEL realizou o I Seminário que, além das excelentes palestras no Teatro Fernando Azevedo, também promoveu oficinas nos outros espaços do ISERJ. No segundo semestre, está acontecendo o III Curso de Extensão e, além do quantitativo de inscritas, a frequência das alunas nas manhãs de sábado nos surpreende. Algumas são professoras recém-aprovadas no último concurso público e nos emocionam com suas vivências.
Agradeço ao GEFEL por partilhar suas práticas, dúvidas, equívocos e me acolher no grupo como se eu já fosse uma professora. Nossas reuniões são ímpares para o meu aprendizado, pois é por meio do relato reflexivo sobre a prática diária dessas professoras-pesquisadoras que aprendo a cada encontro em nossas rodas de leitura como se cresce com dignidade, orgulho e prazer nessa profissão.

Além de continuar estudando, uma das minhas ambições pessoais é um dia colocar em prática um projeto ainda inconcluso focado na alfabetização com os jovens das classes populares que fracassam na escola por causa do nosso sistema escolar público excludente e hegemônico. De preferência, um projeto autofinanciável por crowdfunding, gerido por um conselho democraticamente eleito, sem obscuros fins lucrativos, políticos ou pessoais. E não necessariamente ligado a uma instituição escolar que burocratize e dificulte as ações afirmativas por uma questão de disputa de egos ou simples politicagem. Com uma licença poética de Lampeduza, muitas vezes parece que apenas sugerem mudanças para que tudo permaneça como está.

No Brasil, todos os jovens têm direito à educação básica garantido em lei. Têm de estar obrigatoriamente matriculados em alguma escola. Mas alguns vivem eternamente marginalizados dentro do sistema escolar público e excluídos socialmente nas possibilidades de conseguir um trabalho menos braçal na vida adulta, pois, de fato, não se percebem sujeitos alfabetizados com condições de prosseguir em seus estudos e ambicionar uma vida melhor. E o mais triste é que esses jovens acreditam que a culpa por não estarem plenamente alfabetizados é exclusivamente pelo desinteresse escolar deles quando ainda eram crianças e por conta de suas famílias desestruturadas. Como se pertencer a uma família desestruturada fosse prerrogativa apenas de quem é pobre e o único determinante do fracasso escolar.
Por isso, mesmo atualmente participando de outros grupos de estudo e pesquisas mais ligados à Filosofia e à Sociologia, continuo a apostar no GEFEL como fundante para uma melhor formação pedagógica dos profissionais que acreditam na alfabetização como o diferencial necessário aos nossos jovens sobreviventes das violências diárias vividas em nossas comunidades escolares ou grupos sociais.
Compartilhar as experiências de quem vivencia verdadeiramente essa realidade no chão da escola pública é um privilégio de poucos. A preleção do GEFEL é muito diferente dos que apenas teorizam e problematizam a educação, mas preferem mantê-la como está construindo para as crianças e professoras das classes populares muros cada vez mais altos ao invés de pontes.

Referência Bibliográfica:
VALLIM, Mônica. "Partilhando projetos, vivências e esperanças". In: SANTOS, Margarida dos et al. Exercícios de autoria: histórias de vida, narrativas de formação docente do/no GEFEL. Rio de Janeiro: Câmara Brasileira de Jovens Escritores, 2013.