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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

... A Guerra do Rio. A farsa e a geopolítica do crime

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"Deixamos de fazer as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro que convive com milicianos, facções criminosas hegemônicas e área pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul? Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos faz esquecer que ela tem outra finalidade e não a hegemonia no controle do mercado do crime no Rio de Janeiro?", pergunta José Cláudio Souza Alves, sociólogo, com doutorado na USP, professor da Universidade Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, autor do livro "Dos Barões ao Extermínio – Uma História da Violência na Baixada Fluminense" e membro do Iser Assessoria.
Eis o artigo.
Nós que sabemos que o “inimigo é outro”, na expressão padilhesca, não podemos acreditar na farsa que a mídia e a estrutura de poder dominante no Rio querem nos empurrar.
Achar que as várias operações criminosas que vem se abatendo sobre a Região Metropolitana nos últimos dias, fazem parte de uma guerra entre o bem, representado pelas forças publicas de segurança, e o mal, personificado pelos traficantes, é ignorar que nem mesmo a ficção do Tropa de Elite 2 consegue sustentar tal versão.
O processo de reconfiguração da geopolítica do crime no Rio de Janeiro vem ocorrendo nos últimos 5 anos.
De um lado Milícias, aliadas a uma das facções criminosas, do outro a facção criminosa que agora reage à perda da hegemonia.
Exemplifico. Em Vigário Geral a polícia sempre atuou matando membros de uma facção criminosa e, assim, favorecendo a invasão da facção rival de Parada de Lucas. Há 4 anos, o mesmo processo se deu. Unificadas, as duas favelas se pacificaram pela ausência de disputas. Posteriormente, o líder da facção hegemônica foi assassinado pela Milícia. Hoje, a Milícia aluga as duas favelas para a facção criminosa hegemônica.
Processos semelhantes a estes foram ocorrendo em várias favelas. Sabemos que as milícias não interromperam o tráfico de drogas, apenas o incluíram na listas dos seus negócios juntamente com gato net, transporte clandestino, distribuição de terras, venda de bujões de gás, venda de voto e venda de “segurança”.
Sabemos igualmente que as UPPs não terminaram com o tráfico e sim com os conflitos. O tráfico passa a ser operado por outros grupos: milicianos, facção hegemônica ou mesmo a facção que agora tenta impedir sua derrocada, dependendo dos acordos.
Estes acordos passam por miríades de variáveis: grupos políticos hegemônicos na comunidade, acordos com associações de moradores, voto, montante de dinheiro destinado ao aparado que ocupa militarmente, etc.
Assim, ao invés de imitarmos a população estadunidense que deu apoio às tropas que invadiram o Iraque contra o inimigo Sadan Husein, e depois, viu a farsa da inexistência de nenhum dos motivos que levaram Bush a fazer tal atrocidade, devemos nos perguntar: qual é a verdadeira guerra que está ocorrendo?
Ela é simplesmente uma guerra pela hegemonia no cenário geopolítico do crime na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
As ações ocorrem no eixo ferroviário Central do Brasil e Leopoldina, expressão da compressão de uma das facções criminosas para fora da Zona Sul, que vem sendo saneada, ao menos na imagem, para as Olimpíadas.
Justificar massacres, como o de 2007, nas vésperas dos Jogos Pan Americanos, no complexo do Alemão, no qual ficou comprovada, pelo laudo da equipe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a existência de várias execuções sumárias é apenas uma cortina de fumaça que nos faz sustentar uma guerra ao terror em nome de um terror maior ainda, porque oculto e hegemônico.
Ônibus e carros queimados, com pouquíssimas vítimas, são expressões simbólicas do desagrado da facção que perde sua hegemonia buscando um novo acordo, que permita sua sobrevivência, afinal, eles não querem destruir a relação com o mercado que o sustenta.
A farsa da operação de guerra e seus inevitáveis mortos, muitos dos quais sem qualquer envolvimento com os blocos que disputam a hegemonia do crime no tabuleiro geopolítico do Grande Rio, serve apenas para nos fazer acreditar que ausência de conflitos é igual à paz e ausência de crime, sem perceber que a hegemonização do crime pela aliança de grupos criminosos, muitos diretamente envolvidos com o aparato policial, como a CPI das Milícias provou, perpetua nossa eterna desgraça: a de acreditar que o mal são os outros.
Deixamos de fazer assim as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro que convive com milicianos, facções criminosas hegemônicas e área pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul? Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos esquecemos que sua única finalidade é a hegemonia do mercado do crime no Rio de Janeiro?
Mas não se preocupem, quando restar o Iraque arrasado sempre surgirá o mercado financeiro, as empreiteiras e os grupos imobiliários a vender condomínios seguros nos Portos Maravilha da cidade.
Sempre sobrará a massa arrebanhada pela lógica da guerra ao terror, reduzida a baixos níveis de escolaridade e de renda que, somadas à classe média em desespero, elegerão seus algozes e o aplaudirão no desfile de 7 de setembro, quando o caveirão e o Bope passarem.
Fonte:

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Vem pro Rio que tá bombando!



Dormi no Rio, acordei no Haiti?

Antigamente tínhamos medo da volta da ditadura, de andar sozinho pela cidade durante a madrugada, dos assaltos nos ônibus, dos arrastões nas praias e nas estradas congestionadas, das crianças drogadas perambulando pela rua pedindo esmola, mas hoje está infinitamente pior que no tempo da minha avó que acreditava que os comunistas comiam criancinhas.


Estamos vivenciando uma guerrilha urbana articulada de dentro dos presídios. Tememos por nossas vidas e pelas vidas de nossos familiares e amigos que não andam em carros blindados, e saem de casa para trabalhar ou estudar sem a garantia de conseguir voltar para suas casas até por falta de transporte.


Durante o dia carros e ônibus são incendiados em vários locais da cidade maravilhosa; as pessoas estão com medo sitiadas em seus lares a espera de um milagre acenando lencinho branco na janela; em alguns bairros o comércio está fechado e algumas escolas têm as aulas suspensas; pelos noticiários da tv assistimos praticamente ao vivo "cenas reais dignas do filme tropa de elite 3", pérola do plantão de notícias da rede Globo.


"Essa é uma situação de desespero dos marginais. E nós não vamos nos desesperar. É esse apelo que eu faço à população: mantenham a calma, mantenham a rotina. É a melhor resposta. O que eles querem é o pãnico." São palavras do nosso Governador Sérgio Cabral Filho.


"Quero questionar essa ideia de que o Rio está em guerra.
Primeiro, que as imagens, as armas, o número de mortos, tudo isso poderia nos levar a uma conclusão da ideia de uma guerra. Mas, qual é o problema de nós concluirmos que isso é uma guerra, de forma simplista? Não há elemento ideológico: não há nenhum grupo buscando conquistar o estado. Não há nenhum grupo organizado que busca a conquista do poder por trás de qualquer uma dessas atitudes." Pronunciamento de Marcelo Freixo na ALERJ



Mas quando terá fim esse terrorismo?



A mídia tenta escrever a nossa história de maneira heróica através de filmes nacionais e minisséries perpetua algumas inverdades, pois "uma mentira repetida várias vezes se torna uma verdade".


Nos anos 90 enquanto a juventude de cara pintada empolgada com a conquista de voto aos 16 anos acreditava que comandava o impeachment de Fernando Collor, pois iria mudar o mundo e ter carteira de habilitação antes dos 18 anos, a rede Globo induzia essa participação dos jovens em passeatas exibindo Anos Rebeldes em seu horário nobre, que justificava romanticamente a ideologia política dos atentados terroristas nas décadas de 60 e 70 cometidos pelos filhos da elite que hoje comanda o país.


A ideologia do séc. XXI é outra. Hoje a sociedade se mobiliza fazendo passeatas e manifestações pedindo paz, consciência ecológica, preservação do planeta, redução da maioridade penal e etc. Mudou realmente alguma coisa, ou foi apenas a ideologia? A corrupção ou a violência diminuíram no Brasil? A saúde ou a educação melhoraram nesses 30 anos de democracia? A ditadura acabou ou agora é comandada pela mídia que dita o senso comum? Quem já assistiu Além do Cidadão Kane? Vale a pena assistir esse documentário que está disponível em vídeo no google para entender essa questão.


Infelizmente quando a família, a sociedade e o governo falham na educação o caos se instaura e reina. Resta apenas aos cidadãos de bem ansiar que a polícia ou os militares sejam competentes para fazer o que precisa ser feito. Cadeia é graduação no crime com direitos humanos e estágio remunerado garantidos, visto de onde tudo isso está sendo orquestrado.


PT SAUDAÇÕES


Fontes:


http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2010/11/240_2527-blindado.jpg&imgrefurl=http://extra.globo.com/geral/casodepolicia/posts/2010/11/25/marinha-cede-blindados-ao-bope-343781.asp&usg=__cFZfYYJzumNX0OW9U1oJU0FMRvs=&h=266&w=400&sz=21&hl=pt-br&start=1&sig2=XH9beIk88tv2HFuWXHbYwg&zoom=0&itbs=1&tbnid=VHIPCrem6TsE9M:&tbnh=82&tbnw=124&prev=/images%3Fq%3Dblindado%2Brio%2Bde%2Bjaneiro%26hl%3Dpt-br%26safe%3Doff%26sa%3DG%26gbv%3D2%26tbs%3Disch:1&ei=1v_uTI2tI8G78gaOhPGmCg

http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://exame.abril.com.br/assets/pictures/19689/size_590_onibus-fogo-rj-nova.jpg%3F1290781167&imgrefurl=http://exame.abril.com.br/economia/brasil/noticias/especialista-diz-que-conflitos-no-rio-tem-motivacao-financeira&usg=__AI8gFVyfw-uuIdCrdL59Oo4OZoQ=&h=443&w=590&sz=42&hl=pt-br&start=10&sig2=pd2fYXOZlSMf2hfjlMgz0A&zoom=1&itbs=1&tbnid=MmsUiZOY9NRArM:&tbnh=101&tbnw=135&prev=/images%3Fq%3Dconflitos%2Brio%2Bde%2Bjaneiro%26hl%3Dpt-br%26safe%3Doff%26sa%3DG%26gbv%3D2%26tbs%3Disch:1&ei=PNHxTOfKIMH68Ab94IW2Cg


http://www.oreporter.com/detalhes.php?id=33434


http://educaterra.terra.com.br/voltaire/politica/2004/09/24/001.htm


http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/comercio-e-escolas-estao-fechados-em-varios-bairros-20101125.html


http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/veja-a-cobertura-completa-da-onda-de-crimes-no-rio-20101124.html


http://video.google.com.br/videoplay?docid=-570340003958234038&hl=pt-BR#


http://www.ternuma.com.br/aonde.htm#Elizabeth


http://www.suapesquisa.com/musicacultura/anos_60.htm


http://pt.wikipedia.org/wiki/Anos_Rebeldes


http://www4.pucsp.br/fundasp/textos/downloads/O_voto_no_Brasil.pdf


http://ghiraldelli.wordpress.com/2009/12/22/cqc/#more-2060


http://portal.filosofia.pro.br/o-que--ideologia.html


http://interfacepsijus.posterous.com/pronunciamento-de-marcelo-freixo-na-alerj-em


http://www.tvcultura.com.br/aloescola/historia/guerrafria/guerra6/terrorismo2.htm

http://mafiaandco.wordpress.com/2010/11/27/brasil-guerra-do-rio-ja-dura-30-anos-e-nao-vai-acabar-tao-cedo/

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=10&id_noticia=142475

CALEIDOSCÓPIO de 30/11 à 2/12


Na próxima semana tem início o Caleidoscópio no ISERJ.
É um evento gratuito com outorga de certificado.
Compareça!



PROGRAMAÇÃO


Terça-feira – 30 de novembro

MANHÃ

9H – Abertura da exposição dos alunos de Arte Educação: Porta-retratos - Curadoria: profªs. Bia Albernaz, Cida Donato e Valéria Reis.

10H – Mesa – Retratos de um trabalho de vida e arte
Grupo Afro-reggae – Roberto Chaves (projeto “Papo de Responsa”) e Reginaldo Lima (“A arte como forma de mudar”). Mediadora: Profª. Fátima Ornelas.

Presença dos “Chefes do Bombocado”, oferecendo produto e receita a R$ 3,00 (três reais).

TARDE

13H – Apresentação de trabalho: Cartografia da musica brasileira – Coordenação: Profª. Malu Melo.

15H – Sessão de Cinema: O carteiro e o poeta - Profª. Angela Venturini.

NOITE

18H – Oficina Heureca Ateliê – Profª. Hilda Armstrong.

19H – Palestra - Design: uma forma de educação para a vida – Profª. Angela Carvalho.

Quarta-feira - 01 de dezembro

MANHÃ

9H – Teatralização: Paulo Freire em foco – Profª. Thereza Cristina.

10H – Mesa-redonda: Arte, educação e experiência – Profªs. Moema Quintanilha, Angela Carrazedo, Cristina Muniz e Núbia Santos.

TARDE

13H – Teatralização: Paulo Freire em foco – Profª. Thereza Cristina.

15H – Oficinas variadas de arte - Eu, Criança – Profªs. Aurora Ferreira, Regina Mynssen e Sonia Ortiz.

NOITE

18H – Roda de poesia – Profºs. José Jorge e Heloísa Avelar.

19H – Mesa – Retratos de um trabalho de vida e arte – Afro-reggae – Roberto Chaves (projeto “Papo de Responsa”) e Reginaldo Lima (“A arte como forma de mudar”). Mediadora: Profª. Fátima Ornelas.

Quinta-feira - 02 de dezembro

MANHÃ

9H – Palestra e oficina – Retratos da arte na alfabetização de adultos: um novo estilo de vida para ser mais feliz – Profª. Eliane Souza.
O participante deverá trazer: tesoura, cola e encartes de supermercado.


TARDE

13H – Oficina – Professor e aluno como uma orquestra – Profª. Valéria T. C. Reis.

14H – Teatro – O estatuto da criança e do adolescente – Direção: Profª. Soraia Bastos de Brito.

15H – Oficina do corpo – Profª. Maria Patrícia.

16H – Palestra – Noel: Retratos de uma canção – Prof. Luiz Carlos de Morais Junior (Lab. Multimídia).

NOITE

18H – Apresentação de trabalho: Cartografia da musica brasileira – Profª. Malu Melo.

19H – Encerramento – Sarau.






quarta-feira, 3 de novembro de 2010